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Cinco livros para celebrar as mulheres

08/03/2019
Cinco livros para celebrar as mulheres
Oito de março é o dia em que celebramos mundialmente a luta das mulheres por respeito e igualdade. Há certamente inúmeras conquistas a serem comemoradas nessa data, mas há também ainda muito pelo que se lutar. Para exaltar a importância das históricas reivindicações femininas e ajudar a manter vivo o debate sobre os direitos das mulheres, a editora Nova Fronteira preparou uma lista com cinco sugestões de leitura. Os títulos abaixo foram escritos por autoras para lá de instigantes, que marcaram gerações e merecem ser lidas e relidas em qualquer época do ano.
 
 
 
Mrs. Dalloway, de Virginia Woolf
O estranho, quando recordava, era a pureza, a
integridade de seus sentimentos para com Sally. Não
era como o que se sente por um homem. Era
completamente desinteressado, e, de resto, tinha uma
qualidade que só pode existir entre mulheres, entre
mulheres recém-saídas da adolescência.
 

Virginia Woolf criou, ao longo de sua carreira de escritora, uma série de personagens inesquecíveis, que, em poéticos fluxos de consciência, estão sempre a refletir sobre a realidade que os cerca. Através deles, Woolf buscava detalhar para os leitores suas próprias impressões sobre a época em que viveu. Na sociedade altamente limitante da Inglaterra do início do século XX, ela foi uma mulher que reivindicou seu direito à escrita, brigou por uma vida independente da do marido e se negou a assumir o papel de dona de casa. Em Mrs. Dalloway, livro que é considerado a obra-prima da autora, Clarissa, a protagonista, analisa seu casamento com um parlamentar conservador e busca imaginar para si uma vida diferente, na qual não está reduzida à sombra do marido e dos bons costumes da alta sociedade.

 
 
O tempo, esse grande escultor, de Marguerite Yourcenar
 
Há almas que nos fazem acreditar que a alma existe.
 

Este livro reúne algumas das mais memoráveis crônicas de Marguerite Yourcenar, a “grande dama da literatura francesa”. Escritas ao longo de décadas, essas relíquias trazem à tona reflexões da autora sobre o passado e o presente e são também um grande tributo à arte. Em “Jogos de espelhos e fogos-fátuos”, a autora generosamente resgata as trajetórias de três personagens históricas: Elisabete da Hungria, Elisabete d’Áustria e Elisabete Báthory. Já na crônica “Em memória de Diotima: Jeanne de Vietinghoff”, ela toma para si a responsabilidade de fazer conhecer as contribuições da belga Jeanne de Vietinghoff para a literatura e para a religião. E esses são só alguns dos assuntos abordados por Yourcenar no livro, aqui traduzido pelo brilhante poeta e escritor Ivo Barroso.
 
 
A ingênua libertina, de Colette
 
– Meu pequeno, você tem os preconceitos de um
burguês do Marais. E se eu quiser dobrar o meu
prazer vendo o prazer alheio? Vocês me fazem rir com
suas pretensões de reduzir a volúpia a limites
convenientes!
 
 
Sidonie-Gabrielle Colette foi uma escritora audaciosa, que ousou questionar os costumes sociais de seu tempo. No início da carreira, porém, ela se viu impedida pelo marido de assumir a autoria das próprias obras. Era o nome dele que aparecia nas capas das edições. Foi somente a partir de 1904 que Colette passou a assinar seus livros. A ingênua libertina, publicado originalmente em 1909, traz já no título uma prova da rebeldia da autora. O romance gira em torno de Minne, uma jovem de 14 anos que se interessa pelas notícias sobre o lado selvagem de Paris e sonha em fugir com um fora da lei. Já adulta, ela aceita se casar com um primo, mas é incapaz de se contentar com o papel de esposa e acaba se jogando em uma série de relações extraconjugais – que, vale dizer, nunca serão capazes de satisfazê-la.
 

 
Memórias de uma moça bem-comportada, de Simone de Beauvoir
 
Enganada pelas aparências, não suspeitava, vendo meu
corpo inacabado, que nada faltava dentro de mim;
prometi a mim mesma não esquecer, quando crescesse,
que com cinco anos já somos um indivíduo completo.

 
Nesta autobiografia, Simone de Beauvoir, um dos maiores ícones do feminismo, fala em detalhes sobre sua infância e adolescência, mostrando ao público que, desde muito nova, já sabia defender suas ideias e fazer valer suas vontades. Ao longo da obra, vemos a menina impetuosa que questionava as ordens dos adultos se transformar em uma das filósofas mais importantes do século XX. As amizades, os encontros amorosos, a descoberta da literatura, o início da duradoura relação com Jean-Paul Sartre são alguns dos assuntos abordados neste livro pela autora, que une em sua narrativa uma força e sensibilidade sem iguais.

 
 
132 crônicas: cascos & carícias e outros escritos, de Hilda Hilst
 
Se você for a um jantar chique e perguntarem de
repente o porquê do teu mutismo e soturnez, diga que é
por causa de uma frieira que te aborrece há dias.
 

Com seu caráter transgressor, Hilda Hilst sempre será um exemplo para as leitoras brasileiras. Criadora da polêmica personagem Lori Lamby, Hilda construiu uma obra atemporal, que escandalizou a moral conservadora de sua época. 132 crônicas: cascos & carícias e outros escritos é a mais completa reunião de crônicas da autora, um livro que mistura comentários sobre o cotidiano, análises políticas, diálogos imaginários e reflexões sobre o ato de escrever. Publicados em sua maioria entre 1992 e 1995, os textos que compõem a obra concentram todo o humor e a perspicácia da autora, que apresenta uma piada para cada situação absurda que a vida lhe oferece.

Palavras-chave

Dia Internacional da Mulher
Dia da Mulher
Virginia Woolf
Marguerite Yourcenar
Colette
Simone de Beauvoir
Hilda Hilst