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Clara e Portela: uma história de amor

26/02/2019
Clara e Portela: uma história de amor

Relação da cantora com a escola de samba, que este ano vai homenageá-la na Sapucaí, é contada em detalhes na biografia Clara Nunes, guerreira da utopia

 

Bela, talentosa e dotada de uma simpatia fora do comum, Clara Nunes foi uma das maiores intérpretes da música brasileira. Dona de uma voz radiante e cristalina, que lhe rendeu o apelido de Sabiá, lotou plateias, conquistou a indústria do disco e viu a mídia se render a seus encantos. Em 2019, sua vida e sua arte serão homenageadas na Sapucaí pela Portela, escola que a adotou e da qual é um grande ícone. “Mestiça, morena de Angola, sou eu / No palco, no meio da rua, sou eu / Mineira, faceira, sereia a cantar, deixa serenar”, diz o samba da azul e branco, que entra na avenida com desfile assinado pela carnavalesca Rosa Magalhães.

A relação de Clara com a Portela está narrada em detalhes em Clara Nunes, guerreira da utopia, do jornalista Vagner Fernandes. Publicada originalmente em 2007 e relançada agora em edição revista, a biografia aborda o assunto em momentos diversos: fala da tímida estreia da cantora na avenida, em 1971, dos seus encontros com a Velha Guarda, de sua adoração por Candeia. Revela também a influência da escola na carreira que ela viria a construir como sambista.

Para escrever o livro, que acompanha a trajetória da cantora desde a infância até a morte prematura, aos 40 anos, Fernandes esmiuçou uma ampla bibliografia e entrevistou mais de 300 pessoas, reunindo cerca de 400 horas de depoimentos. Ao todo, foram quatro anos de intensa pesquisa, que inclusive levaram o autor a percorrer lugares antes trilhados por Clara ― de Caetanópolis (MG), sua terra natal, ao popular bairro de Oswaldo Cruz (RJ), onde foi fundada a Portela. Além do texto saboroso, Clara Nunes, guerreira da utopia traz dois grandes cadernos de imagens, recheados de fotos das diversas fases da vida dessa inesquecível estrela da nossa música.

  

Abaixo, a letra completa do samba da Portela e algumas imagens das fantasias que a escola levará à avenida.
 
Na Madureira Moderníssima, Hei Sempre de Ouvir Cantar uma Sabiá
Autores do samba-enredo: Jorge do Batuke, Valtinho Botafogo, Rogério Lobo, Beto Aquino, Claudinho Oliveira, José Carlos, Zé Miranda, D’Souza e Araguaci

 

Axé... sou eu

Mestiça, morena de Angola, sou eu

No palco, no meio da rua, sou eu

Mineira, faceira, sereia a cantar, deixa serenar

Que o mar... de Oswaldo Cruz a Madureira

Mareia... a brasilidade do "Meu lugar"

Nos versos de um cantador

O canto das raças a me chamar

De pé descalço no templo do samba estou

É rosa, é renda, pra Águia se enfeitar

Folia, furdunço, ijexá

Na festa de Ogum Beira-mar

É ponto firmado pros meus orixás

 

Eparrei Oyá, Eparrei...

Sopra o vento, me faz sonhar

Deixa o povo se emocionar     

Sua filha voltou, minha mãe

 

Pra ver a Portela tão querida

E ficar feliz da vida

Quando a Velha Guarda passar

A negritude aguerrida em procissão

Mais uma vez deixei levar meu coração

A Paulo, meu professor

Natal, nosso guardião

Candeia que ilumina o meu caminhar

Voltei à Avenida saudosista,

Pro Azul e Branco modernista... eternizar

Voltei, fiz um pedido à Padroeira

Nas Cinzas desta Quarta-feira... comemorar


Nossas estrelas no céu estão em festa

Lá vem Portela com as bênçãos de Oxalá

No canto de um Sabiá                 

Sambando até de manhã

Sou Clara Guerreira, a filha de Ogum com Iansã

Palavras-chave

Editora Agir
Clara Nunes
Portela
Carnaval
Guerreira da Utopia