Uma vila, uma senzala, um campo de concentração, um hospício, um reflexo do que acontece nas ruas da cidade? As histórias guardadas pelos muros da Fazenda Modelo, o maior abrigo de mendigos da América Latina, são contadas pelo ex-diretor Marcelo Antônio Cunha, em relato que mistura denúncia e emoção. Convivendo lado a lado com a insanidade de um mendigo como Bacana, que pensava ser um cachorro – a ponto de só andar de quatro e comer ração e restos no chão –, havia pessoas como Dona Sonia, ex-aeromoça, que foi parar no abrigo após um acidente de avião. Depois de passar anos na Fazenda Modelo, a indenização da companhia aérea finalmente foi liberada pela justiça e ela pôde comprar uma casa e viver confortavelmente com a filha. Outro dos personagens inesquecíveis do livro é Barnabé, compositor com vários CDs gravados que acabou nas ruas. Recolhido ao abrigo, acabou sendo localizado por um produtor musical e reencontrou a mãe e as irmãs. Casos de pessoas que perdem a memória não eram raros, como o do arquiteto que foi encontrado vagando pela cidade e só depois de meses na Fazenda conseguiu lembrar-se de quem era. Despejar no papel as histórias das pessoas com quem conviveu, para que um dia chegassem a ser conhecidas pelo resto da sociedade, foi para o autor a única forma de dormir em paz. Mais do que uma denúncia, No olho da rua é um livro que emociona. Que faz pensar na fragilidade humana frente aos percalços da vida. E nos leva a rediscutir a necessidade de uma política governamental para amparar os incapazes e mais necessitados.
Opiniões
Natalia Barbosa
Nossa! Acabei de ler esse livro e foi um dos piores que já li. Nunca vi algo tão preconceituoso desfarçado de humanismo com altas doses do abjeto sentimento de pena. Deveria ter vergonha de tratar as pessoas assim, objetos curiosos os quais valem pelo entretenimento de saber suas histórias. Lamentável...
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