Sobre a autora


Benazir Bhutto foi primeira-ministra do Paquistão de 1988 a 1990 e presidente do Partido do Povo do Paquistão entre 1993 e 1996, além de ter sido a primeira mulher a governar um Estado muçulmano. Nascida em 1953 em Karachi, ela partiu para o exílio, em 1999, e retornou ao Paquistão em outubro de 2007, dois meses antes de ser assassinada.

Benazir Bhutto escreveu este livro durante os 71 dias passados desde sua chegada ao Paquistão em 18 de outubro de 2007, passando pelo dia 19 de outubro, quando sofreu um atentado terrorista que matou 179 pessoas entre os três milhões de partidários que a saudavam, e o dia do seu assassinato em outro atentado terrorista. Ao longo desse tempo Benazir trabalhou em prisão domiciliar imposta pelo regime no poder e sob as restrições de regras de emergência equivalentes à lei marcial.

Apesar dos acontecimentos ao seu redor e de sua responsabilidade como líder do maior partido político do Paquistão continuou dedicada ao texto de Reconciliação - Islamismo, Democracia e o Ocidente, com a mesma intensidade com que fazia tantas outras coisas na vida. Benazir estava convencida de que as lutas entre democracia e ditadura e entre extremismo e moderação eram as duas principais forças do novo milênio. Acreditava que a mensagem de sua religião, o islamismo, estava sendo politizada e explorada. E acreditava que na ditadura o extremismo se fortalece e aumenta, ameaçando não apenas sua terra natal, o Paquistão, mas todo o mundo.

Corajosa e determinada dedicou-se ao seu projeto político e a este livro até as primeiras horas do dia de sua morte. Ela foi assassinada em 27 de dezembro de 2007 em Rawalpindi, no Paquistão. Ao ler o texto podemos nos consolar sabendo que a última lembrança dela não será a carnificina sangrenta no local do assassinato, mas um legado que afirma a força, o otimismo e a visão de uma grande mulher.