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Coleção Cícero - Entrevista com José Roberto de Castro Neves

13/11/2018
Coleção Cícero - Entrevista com José Roberto de Castro Neves

Qual foi a inspiração para criar a Coleção Cícero? Pode nos contar, em resumo, sobre a vida e a importância desse personagem para a advocacia, a cultura e a humanidade?

O universo jurídico ganha, a cada dia, mais importância. As pessoas, independentemente de suas escolhas profissionais, percebem como temas relacionados ao direito influenciam em suas vidas e foram determinantes em grandes momentos históricos. Natural que pretendam compreender melhor esse fenômeno. De outro ponto, há um interesse por receber informações com valor, instrutivas, com conteúdo cultural. A Coleção Cícero guarda esse propósito: falar sobre cultura e direito. Não são livros de direito, mas sobre o universo jurídico. Assim, esses livros falam não apenas para os bacharéis, mas para todos.

Cícero foi um homem culto, amigo da liberdade, que desafiou os poderosos na defesa de seus ideais. Acabou executado, mas seu legado idealista é inspirador.

A coleção estreou na Nova Fronteira com o título “Como os advogados salvaram o mundo” e agora segue com “Os grandes julgamentos da História”. Pode nos revelar quais são os outros títulos que vêm por aí?

Já está no formo outra obra coletiva: “Os advogados vão ao cinema”. Nela, grandes nomes do mundo jurídico examinam o direito em filmes icônicos. Ao ver as excelentes contribuições, fiquei com a certeza de que o cinema tem uma dívida impagável com o direito. O outro livro da série, também já em avançada construção, já tem nome: “O que os grandes livros ensinam sobre justiça”. Aqui, da mesma forma, profissionais renomados do mundo jurídico tratam das relações entre literatura e direito. Há ainda mais por vir, mas o que seria da vida sem surpresas?

O livro fala de Jesus, Lutero e Joana D’Arc, de autores clássicos como Flaubert e contemporâneos como Rubem Fonseca, de celebridades como O.J Simpson e de casos que se tornaram famosos na crônica policial, como a da Fera de Macabu.  Quais foram os critérios para escolha dos autores e dos personagens julgados? Você fez uma lista dos julgamentos e convidou cada um para escrever? Pode nos contar um pouco sobre esse processo?

O convite foi feito às pessoas – todas pelas quais guardo grande admiração. Coube a elas escolher um caso que lhes interessava. A partir daí, pelo que sei, mergulharam no tema. É interessante ver como cada um se aproxima da questão por um ângulo particular, sempre com sensibilidade e cultura. O resultado é uma obra com enorme carga valorativa, mas que carrega a personalidade de cada um dos autores.

No livro, além da introdução, você escreveu sobre o julgamento de Lutero, o homem que desafiou a Igreja Católica, traduziu a Bíblia, ajudando a disseminar a leitura pelo mundo, e também estimulou o indivíduo a ter a sua própria interpretação das escrituras divinas. O que esse julgamento tem a nos ensinar sobre os dias de hoje, principalmente em relação a disputas de poder e de narrativas sobre o mundo e a religião?

O julgamento de Lutero foi um momento de libertação. O homem teve coragem de desafiar o sistema, para seguir sua consciência. Esse dilema nos desafia diuturnamente. É, na verdade, mais do que apenas se insurgir contra a religião. Trata-se da força de enfrentar o mundo por aquilo que acreditamos. Em maior ou menor grau, estamos sempre sujeitos a julgamentos.

Por fim, a quem você daria esse livro de presente?

Primeiro, daria para as (muitas) pessoas que eu gosto. Depois, para aqueles que tenham curiosidade de entender os por quês.*

 

 

Palavras-chave

Coleção Cícero
Como os advogados salvaram o mundo
Os grandes julgamentos da História
José Roberto de Castro Neves
Direito
Entrevista
Nova Fronteira