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Entrevista com a autora Gisele Mirabai

30/10/2018
Entrevista com a autora Gisele Mirabai

Como foi a experiência de participar do primeiro Prêmio Kindle de Literatura e publicado Machamba?

O Prêmio Kindle para Machamba foi um divisor de águas em minha carreira. Tive ainda mais força e certeza de estar no caminho certo, que é escrever e contar histórias da melhor maneira possível, tanto na forma quanto no conteúdo. Sinto que o prêmio me trouxe uma oportunidade de integrar de forma mais ativa o meio literário, participando de festivais e bienais do livro, além de aumentar muito o meu número de leitores. Também gostei da experiência de estar sob o cuidado e qualidade editorial da Nova Fronteira com o livro impresso e, ao mesmo tempo, manter a autonomia e liberdade que o autor independente tem no Kindle, através do KDP. Além de tudo, ter ainda o áudio book do Machamba gravado por mim mesma foi uma experiência bem especial. Um prêmio que só me trouxe coisas boas.

Como você recebeu a notícia de que, com seu primeiro romance, chegou à final do Jabuti, o mais importante prêmio literário do país?

Fiquei realizada. Estava em Ushuaia, a cidade mais austral do Planeta Terra antes da Antártida e, literalmente, derreti o gelo quando soube da notícia. Escrevi Machamba com muita atenção na construção do texto, tanto em termos narrativos quanto de linguagem, e me sinto feliz de ver este trabalho sendo reconhecido e valorizado.  

Este ano, o Jabuti mudou as regras de inscrições e o que se notou foi uma maior diversidade de autores e editoras finalistas. Com isso, os livros também ampliam seu alcance de divulgação. Que outras iniciativas você acha que são necessárias para que o livro chegue a um público maior?

Hoje em dia, o trabalho do que eu chamo “autor ativo” é fundamental. Estar presente na internet, enviar seu livro para blogueiros, resenhistas, revistas especializadas. Sempre que possível, participar de eventos e feiras literárias. Subir em sua página, conteúdo de assuntos relacionados ao livro. E manter um contato ativo com o leitor, respondendo suas mensagens e criando laços através da leitura. É um trabalho desafiante, pois requer tempo, energia, disposição. Mas vejo claramente que os autores que se dedicam a isso são os que mais consegue ampliar seu público. 

Queriámos que você contasse um pouco como foi a produção do livro, desde a ideia original até colocar o ponto final nele.

Já tinha escrito alguns livros infantojuvenis, uma pequena novela e senti que era o momento de embarcar em meu primeiro romance. Comecei a escrever capítulos soltos, até que me mudei para São Paulo e iniciei a oficina de criação literária do professor Marcelino Freire. Ali, os capítulos foram se lapidando, a partir da leitura crítica e troca com os colegas do curso. Neste meio tempo, com a ideia do livro já madura, ganhei a bolsa Funarte de Criação Literária e pude me dedicar por seis meses exclusivos à escrita de Machamba. Algo que foi muito proveitoso em meu aprendizado como escritora, quando pude me debruçar sobre cada linha, cada vírgula, sobre o ritmo de cada frase. Confiante, enviei o livro para algumas editoras grandes mas, ou não obtive resposta, ou recebi o costumeiro “não”. Sem saber qual próximo passo dar, estava um dia zapeando na internet, quando vi uma chamada para a inscrição no 1º Prêmio Kindle de Literatura. Li que era uma parceria com a Nova Fronteira e logo me animei a inscrever o Machamba. Sou muito intuitiva e senti que ele teria chance. Fiz uma última revisão e submeti o livro na plataforma. O resto da história, vocês já sabem. 

Você já tem algum projeto de livro em andamento ou já escrito? A notícia do prêmio muda alguma coisa?

Estou escrevendo um novo romance chamado Nova Maria, nome ainda não definitivo. A indicação de Machamba ao Jabuti me dá ainda mais confiança para continuar.

Você é atriz e roteirista de cinema. Pensa em adaptações para o seu livro?

Sempre penso! “Guerreiras de Gaia” já está em processo de adaptação para se tornar uma série audiovisual. “Nasci pra ser Madonna” também virou um projeto para série adaptada, destinada ao público infantil, chamada “Nasci pra ser Manu”. Sobre Machamba, algumas produtores já me pediram para ler, mas ainda nada definido. 

Você pode falar um pouco de sua rotina depois que publicou o livro. Você hoje vive de sua literatura? Tem outros projetos?

Viver dos meus livros de ficção, ainda não vivo. Dou aulas e consultorias literárias e realizei algumas obras de encomenda. No momento, consegui criar uma brecha no tempo e tenho me dedicado à escrito do Nova Maria, o novo romance.

Por fim, queria que falasse um pouco de suas influências literárias. Quem são os autores e livros que mais te marcaram?

Depende da época e do livro. Em relação à Machamba, sinto influências diversas, desde Arundhati Roy, uma autora indiana que gosto muito, Ferreira Gullar, sobretudo em Poema Sujo, e do francês Gaston Bachelard. Tenho sempre muita influência dos textos de não ficção que leio, principalmente astronomia, história das antigas civilizações e antropologia do imaginário. Os mineiros, de Drummond a Sabino, de Rosa a Rubião, também sempre sopram em meus ouvidos.*

 

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