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Entrevista com Carlos Newton Júnior

26/10/2018
Entrevista com Carlos Newton Júnior

O box Teatro completo de Ariano Suassuna pode ser considerado um marco literário. Pela primeira vez, toda a obra teatral do autor está reunida. Carlos Newton Júnior, poeta, ensaísta e professor, foi um dos principais parceiros de Suassuna e é o responsável pela organização desse projeto.

 

Encenada inúmeras vezes no teatro, adaptada para a TV e o cinema com estrondoso sucesso, O Auto da Compadecida deve ser uma das peças também mais lidas no Brasil. Agora, o público terá acesso à produção teatral completa de Ariano Suassuna, num único box. Qual é a importância de trazer essa grande obra em seu conjunto?

A importância é enorme; primeiro, porque o público terá acesso a muitas peças inéditas, sobretudo aquelas pertencentes a um ciclo pouco conhecido da dramaturgia de Ariano, o ciclo das tragédias; depois, porque a edição possibilita a visão de conjunto, das peças mais curtas às mais extensas, revelando algo do processo de criação do autor, que muitas vezes partia de entremezes para a criação de peças maiores.

Quais foram as maiores dificuldades de reunir a obra de Suassuna e por que decidiu dividi-la por gêneros: comédias, tragédias, entremezes e traduções?

Não houve, propriamente, dificuldade, uma vez que a minha relação com a obra de Ariano já data de certo tempo. Aqui e ali, durante a fixação de texto, no caso das peças inéditas, foi necessária uma consulta a notas e manuscritos, para dirimir alguma dúvida do datiloscrito. A divisão por gênero facilita, a meu ver, a visão de conjunto, lembrando que o critério cronológico também se faz presente.

Num país com tantos problemas sociais e políticos, Suassuna sempre retratou o poder, as intrigas políticas e as injustiças com humor, sem nunca ser panfletário. Você pode comentar a originalidade do teatro de Suassuna, também chamado de Teatro do Nordeste, por reunir a erudição do autor às suas raízes populares e experiência sertaneja e também atingir o universal a partir de uma perspectiva regional.

Suassuna cria um caminho novo para o teatro brasileiro, mergulhando no romanceiro popular nordestino, na literatura de cordel e nos espetáculos populares (mamulengo, bumba-meu-boi etc). Segue a máxima de Tolstoi, ou seja, criar o universal a partir do local. Trata-se de um teatro erudito, mas baseado em nossa cultura popular. Baseado, também, numa tradição clássica, ocidental, desde a comédia latina a Molière.

 Por fim, queríamos que você comentasse o elo entre a dramaturgia do autor com seus romances e a sua obra final, O Romance de Dom Pantero no Palco dos Pecadores, no qual pretendia reunir prosa, poesia, teatro, ensaio e desenho?

O Romance de Dom Pantero é um romance em diálogo, como se Dom Pantero estivesse num palco, ministrando uma aula-espetaculosa. Uma das peças menores de Ariano, A História do Amor de Romeu e Julieta, é inclusive encenada, ao longo da narrativa do Dom Pantero. Quer dizer, no Dom Pantero, de fato, Suassuna conseguiu reunir tudo, numa fusão original: teatro, romance, poesia, artes plásticas etc.*

O box está dividido em quatro volumes e abarca comédias, tragédias, entremezes (peças de menor extensão) e o teatro traduzido. Está disponível com exclusividade no site da Amazon. Clique aqui e garanta o seu.

 

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