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Um livro da Nova Fronteira para cada signo

01/11/2018
Um livro da Nova Fronteira para cada signo

Diz a sabedoria popular que você é o que você lê. E se cada signo pudesse ser definido de acordo com as características de um livro? Para isso, montamos uma lista associando as 12 casas do zodíaco com nossos títulos.

 

Áries: A força das coisas, de Simone de Beauvoir

“Telefonei. Sartre não esperava por isso. Quanto a mim, tenho a morte na alma.”

Nascida sob o signo de Áries, Beauvoir carregava em si as características de quem tem o Sol posicionado nessa casa. Preocupava-se extremamente com sua aparência, era ciumenta e gostava de se impor. Não à toa, escreveu O segundo sexo, considerado uma bíblia revolucionária do feminismo, e a atitude imperativa não só rendeu bons livros como também pautou sua relação com o existencialista Jean-Paul Sartre. Como vemos em A força das coisas, um dos volumes do box Memórias de Simone de Beauvoir, Simone, ao documentar sua relação com o filósofo no cenário intelectual francês e durante uma visita ao Brasil, nunca foi de economizar iniciativas — nem na política, nem na vida pessoal.

Touro: O idiota, de Fiódor Dostoiévski

“’Fiz mal em falar nessa fotografia…’ ia pensando Míchkin enquanto se dirigia ao escritório, sentindo uma pancada na consciência. ‘Mas falei, está falado, e quem sabe até se não foi bom?’”

 

Quando alguém acaba com a comida da festa, normalmente, é tachado como taurino. Ou se é teimoso e insiste em algum argumento ou atitude, desconfia-se que a pessoa tem o Sol em Touro. Esse último caso é o que dá base para O idiota, um dos romances mais conhecidos do russo Fiódor Dostoiévski. O príncipe Míchkin, negando os valores morais da sociedade na qual vive e insistindo nos próprios, acaba sendo isolado por defender até o fim suas crenças. E, no final das contas, com razão.

Gêmeos: As confissões, de Jean-Jacques Rousseau

“Confesso que não deixava passar ocasião de me tornar conhecido, todavia não a procurava tão pouco sem nenhum motivo.”

Gêmeos é o signo caracterizado pelas conexões com o outro e, quando rege o Sol de alguém, costuma ser apontado como explicação para a tagarelice dos geminianos e sua constante busca por aprendizado. Se encontrar um espaço, o geminiano fará questão de se expressar, o que vai ao encontro de As confissões, de Rousseau. Com um amplo conteúdo, o iluminista francês passa por quase todos os assuntos que aguçam sua curiosidade, desde a própria existência até temas gerais da humanidade e da ciência.

Câncer: Razão e sentimento, de Jane Austen

“Longas cartas se sucediam, para dizer tudo quanto ela pensava e sofria, para exprimir sua ansiosa inquietação por Marianne e para encorajá-la a suportar com fortaleza os infortúnios.”

 

 

O estereótipo de Câncer é formulado como alguém dramático, que sempre faz tempestade em copo d’água. Mais do que isso, os cancerianos costumam sentir com muita intensidade — para além da própria vida pessoal — e são muito apegados à família e aos amigos. É justamente essa relação complicada de tomar o sofrimento para si que permeia o romance Razão e sentimento, de Jane Austen. Após a morte de Mr. Dashwood, as irmãs Elinor e Marianne sofrem uma traição do próprio irmão e, em uma nova casa, precisam lidar com a imposição de acharem um marido. Se por um lado, Elinor tenta manter o controle da situação com um racionalismo excessivo, Marianne se entrega a ilusões transitórias, considerando-se uma “heroína sentimental” que se angustia pelo amor quase impossível da irmã.

 

Leão: Ecce Homo, de Friedrich Nietzsche

“Na previsão de que dentro de pouco tempo me veja obrigado a impor à humanidade a mais dura exigência que até agora se lhe impôs, creio indispensável dizer-lhe antes QUEM SOU EU.”

 

 

A Leão, signo relacionado à autoconfiança, nada mais propício do que um livro que nega a moral vigente para afirmar os próprios valores. Nietzsche é, ele mesmo, o leão que representa uma das três metamorfoses enumeradas em Assim falava Zaratustra; é o animal que, insatisfeito com crenças impostas, nega-as com fúria e coragem. Com receio de não ser compreendido, escreve Ecce Homo explicando sua obra, já que se considera um acontecimento importantíssimo da humanidade, alguém que veio abalar as estruturas e mudar o rumo da história. Finalizado um pouco antes do desvario do autor, o livro parece o pressentimento de alguém que, mais tarde, teve suas ideias erroneamente apropriadas pelo nazismo.

Virgem: As palavras, de Jean-Paul Sartre

“O ofício de escrever se me afigurou como uma atividade de adulto, tão pesadamente séria, tão fútil e, no fundo, tão destituída de interesse que não duvidei um instante sequer que me fosse reservada; disse a mim mesmo, a um só tempo: ‘é apenas isso’ e ‘eu sou dotado’. Como todos os vãos sonhadores, confundia o desencanto com a verdade.”

 

Signo regido por Mercúrio, planeta da comunicação, Virgem é conhecido pela habilidade com as palavras e tem grande apreço pela literatura. Suas características se assemelham ao que o filósofo Sartre conta em sua autobiografia, revelando a trajetória da descoberta da vocação como leitor e escritor. Além disso, virginianos apresentam a preocupação em ajudar e buscam o bem-estar de todos, aproximando-se do humanismo adotado pelo teórico existencialista.

Libra: Retrato do artista quando jovem, de James Joyce

“— A conotação desta palavra é um tanto vaga – disse Stephen. — Santo Tomás de Aquino emprega um termo que parece ser inexato, que me iludiu durante muito tempo.”

 

Stephen Dedalus, considerado o alter ego de James Joyce, é quem representa a temática do primeiro romance escrito pelo irlandês. A narrativa cheia de questionamento a vários dogmas das religiões dá ao leitor acesso a impasses de indecisão, velha conhecida dos librianos. A indecisão, porém, é essencial à vida, como mostra Retrato do artista quando jovem e, em meio a dúvidas que permeiam a vida de Dedalus, o texto é tão apaixonante quanto alguém com Sol em Libra.

Escorpião: O imoralista, de André Gide

“Aqui toda pesquisa é impossível, tanto a volúpia acompanha de perto o desejo.”

 

Nada mais apropriado a um escorpiano do que um livro, digamos, cheio de cenas picantes que confrontam uma moral pacata. Signo associado ao desejo e às transformações, vemos tal personalidade marcada no protagonista Michel, narrador do romance.Durante o casamento com Marceline, é acometido por sintomas da tuberculose. Vai, então, para a África iniciar o tratamento e lá descobre novas paixões, agora por corpos masculinos.

Sagitário: A volta ao mundo em 80 dias, de Júlio Verne

“A questão da volta ao mundo foi comentada, discutida, dissecada com veemência e ardor. Uns tomaram o partido de Phileas Fogg, outros — e formaram depressa a maioria considerável — pronunciaram-se contra ele. Realizar o giro do mundo, de maneira que não fosse em teoria e no papel, nesse mínimo de tempo, com os meios de comunicação que no momento existiam, não só era impossível — era insensato”

Signo das grandes expedições, viagens e aspirações, Sagitário parece encarnar em Phileas Fogg, que, junto ao seu criado Passepartout, aposta com seus parceiros de uíste a missão de dar uma volta ao mundo em 80 dias. Fugindo do padrão inglês e metódico pelo qual é conhecido, Phileas Fogg assume a aposta valendo vinte mil libras com máxima determinação e logo a coloca em prática para espanto da população londrina.

Capricórnio: O príncipe, de Nicolau Maquiavel

“Vós desejaríeis, magnífico embaixador, que eu deixasse esta vida e fosse gozar convosco a vossa. Eu o farei de qualquer maneira, mas o que me tenta agora são meus negócios certos.”

Considerado um clássico da política, O príncipe é um manual para aproveitar as oportunidades no momento certo (Fortuna) e administrar as questões relacionadas ao poder (Virtú). Por isso, é forte candidato a ocupar a cabeceira de um capricorniano: ambicioso, apegado ao trabalho, prático e, claro, dominador, sendo, em todos os aspectos, realista ao analisar o cenário no qual se encontra.

Aquário: Moby Dick, de Herman Melville

“Considerai pois a sutileza do mar: as suas mais temíveis criaturas deslizam na maioria imperceptíveis, sob a água, traiçoeiramente ocultas entre os mais encantadores tons azuis; o fulgor diabólico e a formosura de suas espécies mais ferozes”

 

Apesar de ser considerado o signo da empatia e da coletividade, o aquariano também é conhecido por ser instável, agitado e, muitas vezes, rebelde. Nessa reunião de características, aquele que é nascido sob o  signo de Aquário torna-se um incompreendido, como é o caso do romance Moby Dick, que recebeu duras críticas na época de seu lançamento. Nele, o leitor tem acesso à narração de Ishmael, tripulante de um baleeiro que teve uma de suas pernas arrancada por uma baleia branca. Nessa trajetória movida pelo ímpeto da vingança, ele acaba redescobrindo valores humanistas perdidos por ele e por quem o cerca. 

Peixes: As ondas, de Virginia Woolf

“(…) Rhoda, a quem interrompi quando balançava suas pétalas em uma bacia castanha, pedindo o canivete que Bernard roubara. Para ela, o amor não é um redemoinho. Não tem vertigens quando olha para baixo. Rhoda olha bem por cima de nossas cabeças, para além da Índia”

Dizem que piscianos andam olhando para o alto, pois, além de sonhadores, são distraídos. Extremamente emotivos, possuem aptidão para arte e sua fluidez vem do principal elemento associado ao signo de Peixes, a água. Nada mais representativo, no mundo literário, do que As ondas, da escritora inglesa Virginia Woolf. Narrado com o recurso fluxo de consciência, ou seja, detalhamento das emoções obedecendo ao ritmo e à quebra do mesmo pela mente e pelas palavras, o livro apresenta afeto e questionamentos sensíveis do começo ao fim.

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