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Outras histórias de Sherlock Holmes - Entrevista com roteiristas!

23/11/2018
Outras histórias de Sherlock Holmes - Entrevista com roteiristas!

Scott Beatty, John Reppion e Leah Moore são os três roteiristas incríveis responsáveis pelo projeto "Outras histórias de Sherlock Holmes". Entrevistamos eles com exclusividade para conhecer um pouco mais sobre o processo de desenvolvimento dessas histórias em quadrinhos. Confira: 

 

1. Vocês sempre foram fãs de Sherlock Holmes? Como veio a ideia de criar novas aventuras inspiradas no universo dele?

Scott: Acho que eu não conseguiria participar de um projeto como Sherlock Holmes: Ano Um se eu não fosse um fã. Também sou autor de Batman, mas acho que eu não conseguiria dar conta de criar O Cavaleiro das Trevas sem prestar homenagem ao maior detetive do mundo, cujas façanhas inspiraram o homem-morcego. Quanto aos bastidores, fui procurado por Nick Barucci, presidente da Dynamite Entertainment, editora original americana de Sherlock Holmes: Ano Um, para criar uma aventura que antecipasse a emblemática formação da dupla Holmes-Watson, no livro Um estudo em vermelho, de Sir Arthur Conan Doyle. Eu tinha uma trama sobre mordomos assassinos que eu vinha esperando há anos pra poder usar… e, claro, eu TIVE que incluir de alguma maneira o professor Moriarty.

John: Somos! O mundo habitado por Sherlock Holmes – a velha Londres coberta de fog, sombria e com lampiões a gás – é simplesmente o cenário perfeito para um mistério, então ficamos ansiosos para começar a criar novos casos para o grande detetive.

Leah: Na verdade, originalmente nós fomos chamados para adaptar as histórias de Conan Doyle para quadrinhos, mas, como nós tínhamos acabado de adaptar Drácula, de Bram Stoker, achamos que seria bem mais fácil (!) escrever nossa própria história. Olhando pra trás, acho que estávamos meio cansados após a adaptação, e criar novos mistérios com Holmes é praticamente o maior desafio que já encaramos. Nós realmente curtimos a sensação de pôr nossas palavras nas bocas do grande detetive e de todos os outros personagens do universo dele. É uma grande honra. 

2. Ano Um, O Julgamento de Sherlock Holmes e O demônio de Liverpool mostram Holmes de maneiras totalmente diferentes. Como vocês tiveram essas ideias?

Scott: Eu queria voltar até alguns anos antes do encontro da dupla, até chegar a um passado quando o relacionamento deles ainda não era marcado por aquele diálogo de poucas palavras entre eles. Eu também queria explorar um Watson dos tempos em que ele ainda pertencia à Cavalaria Britânica no Afeganistão… e um Holmes que fosse talvez mais cabeça dura e menos confiante em seu próprio brilhantismo.

John: Depois que escrevemos um mistério ambientado no fog de Londres, com direito à Rainha Vitória e a uma intriga política, como fizemos em O julgamento, em O demônio de Liverpool nós decidimos partir para algo um pouco mais próximo de O cão dos Baskervilles. O cão dos Baskervilles é provavelmente a mais famosa história de Holmes, mas é um pouquinho diferente do enredo-padrão dos mistérios de Sherlock. Holmes e Watson estão fora de Londres, em localidades pouco conhecidas, às voltas com uma criatura aparentemente sobrenatural que está à solta. Holmes não fica tão autoconfiante quando ele não está em Londres (embora ele jamais admitisse isso), então ele comete erros e custa um pouco mais a reunir fatos e pistas. É divertido colocar o grande detetive numa certa situação de desvantagem e depois deixá-lo usar sua incrível capacidade de raciocinar para poder voltar aos trilhos.

Leah: Com O julgamento nós realmente queríamos testar Holmes, pra ver o quanto ele era capaz de usar seu incrível poder de raciocínio para sair da situação mais horrível que se pode imaginar. Nós o levamos pra longe da Baker Street, o afastamos de Watson, de Lestrade e até da Sra. Hudson, e o deixamos completamente dependente de sua própria sagacidade. Com boas doses de intriga política e situações ambientadas no fog londrino, é de fato tudo o que você pode querer quando se trata de uma história de Holmes.

Em O demônio de Liverpool nós quisemos arrancar Holmes de sua vida confortável em Londres e colocá-lo no universo selvagem da cidade portuária do noroeste, Liverpool. Naquela época, Liverpool era a segunda maior cidade do país, atrás só de Londres, além de ser também um lugar problemático, rivalizando com Nova York em termos de violência e criminalidade.  Obviamente o crime nasce da pobreza e, no caso de uma cidade portuária, envolve também a região das docas. Nós curtimos a tarefa de fazer com que o artista desenhasse todos aqueles belos prédios antigos de nossa cidade, mas não sei se ele curtiu tanto assim!

 

 

3. Como foi a rotina de trabalho da HQ: vocês escreveram o roteiro inteiro e entregaram para o ilustrador ou foram produzindo o livro em etapas?

Scott: Curiosamente, à exceção de Ruse — título lançado na última fase da Crossgen Comics, também baseado em Sherlock Holmes — eu costumo escrever o roteiro de uma vez só, o que inclui as descrições dos painéis e todos os diálogos. O artista Daniel Indro fez um trabalho incrível transformando minhas tramas no que se vê em Sherlock Holmes: Ano Um. Eu tenho a oportunidade de acompanhar a arte sendo feita para poder fazer qualquer correção necessária. Também vejo a arte final com os diálogos aplicados ainda em PB, e felizmente posso dizer que o que os leitores estão lendo em Sherlock Holmes: Ano Um é exatamente o que eu planejei desde o momento em que me sentei em frente ao meu computador e escrevi as primeiras palavras proferidas pelo Dr. Watson!

John: Tanto O julgamento quanto O demônio de Liverpool foram originalmente publicados mensalmente, em edições separadas, então escrevíamos o segundo volume enquanto o artista estava desenhando o primeiro, e assim sucessivamente. Aaron Campbell foi nosso artista em O julgamento, e ele fez um trabalho fantástico ao dar vida aos personagens e à cidade de Londres. Matt Triano, que foi o nosso artista em O demônio de Liverpool, deu um visual maravilhosamente dark, carregado de tinta e sujo ao submundo criminoso de Liverpool. Foi um prazer e tanto trabalhar com ambos, construindo personagens e cenas ao longo de todo o processo, com ajudas e acréscimos deles.

 4. Sherlock Holmes tem uma legião de fãs no mundo inteiro. Agora, os leitores brasileiros terão a oportunidade de ler histórias inteiramente novas do personagem. Como foi adaptá-lo para o mundo dos quadrinhos?

Scott: Eu penso no meu trabalho e na minha contribuição como partes de uma tapeçaria maior. Obviamente, há centenas – senão milhares – de escritores que tiveram oportunidades de escrever sobre as aventuras de Sherlock Holmes e Dr. John Watson. Nesta caixa com três livros de capa dura da Pixel, estou acompanhado dos maravilhosos escritores Leah Moore e John Reppion, com quem pude ir a fundo na mística de Holmes e a empatia universal que ele tem com leitores não só do Brasil ou dos Estados Unidos, mas do mundo todo!

John: Sherlock Holmes é um personagem tão forte e característico, além de um herói tão maravilhosamente falho e crível, que as pessoas parecem se reconhecer nele. Ele é um gênio, mas está longe de ser perfeito. Watson é o homem comum que não consegue acompanhar a velocidade do intelecto de seu parceiro, mas é também quem faz o grande detetive colocar os pés no chão quando é preciso. É uma fórmula tão perfeita e simples que funciona brilhantemente, e é por isso que pessoas em todo o mundo ainda amam essas histórias de mistério.  Holmes, Watson e o universo deles se encaixam perfeitamente nos quadrinhos, e é um prazer e tanto poder criar e compartilhar novas histórias sobre eles com tantos leitores. Mal podemos esperar para escrever as próximas.*

 

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